Tornerai tornerò

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Diário do Jequi

Não me interessei sobre o caso de Cesare Battisti. Soube, por meio de um renomado homem da mídia, que se trata de um marginal que virou terrorista, condenado à prisão perpétua pela justiça italiana por ter matado quatro pessoas, fugitivo da prisão da Terra da Bota e livre como alguns passarinhos por este país grande e bobo.

São acusações fortes e respeitáveis e, vendo o italiano por este ângulo, eu o entregaria ao primeiro policial quando o visse na rua, sem contar o medo da proximidade dele perante a mim e a meus entes queridos.

Também pesquisei e soube que o Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores do Brasil e o órgão do Poder Executivo responsável pelo assessoramento do Presidente da República, decidiu dar asilo político a Battisti por considerar que seus atos não foram de terrorismo e, sim, de subversão.

Olhei no dicionário Priberam e achei alguns significados para terrorismo: sistema de governar pelo terror e com medidas violentas; atos de violência praticados contra um governo, uma classe ou mesmo contra uma população anônima, como forma de pressão visando determinado objetivo; forma violenta de luta política com que se intimida o adversário; modo de impor a vontade por meio de violência e de terror. Causou-me espanto ver que somente a última definição não infere ao alto escalão que manda. Para subversão: revolta; insubordinação; destruição; perversão; revolver, voltar de baixo para cima; por em estado de desordem; fazer soçobrar, submergir; arruinação.

A diferença entre um e outro é uma linha tênue. O cara mata quatro pessoas, os juízes de lá veem terrorismo e os de cá subversão. Os italianos, pela maioria de significados, deduzem ser um ato contra o governo enquanto os brasileiros um ato, semanticamente, de revolta. O limite é mesmo tão frágil que o homem pode arruinar ou destruir quatro seres humanos e mesmo assim não cometer atos de terror. É o detalhe que salva um réu. É o detalhe que causa aborrecimentos na desenvolvida Itália a ponto de chamar de volta seu embaixador atuante no Brasil.

Li há algum tempo uma história em que os subversivos brasileiros, procurados ferozmente pela ditadura vigente do final dos anos sessenta e começo dos setenta, recebiam asilo político do governo italiano. Eles, sim, com toda certeza não praticavam atos de terror ou violência. Apenas diziam a verdade e desejavam, como todo o país, expressar suas ideias sem proibição. A Itália os recebia de braços abertos. O governo brasileiro também chiou. Mas eram eles Chico Buarque, Geraldo Vandré, Edu Lobo...

Sou mesmo um cidadão comum, por isso não me interessei por este caso igual à esmagadora maioria da população. Assim como o voto de cancelamento do jogo Brasil x Itália, em Londres, 11 de Fevereiro, por parte de um senhor italiano não afetará em nada nas relações já afetadas dos dois países. Pois, como eu, o povo também não está mais interessado na Seleção Brasileira. Só faço votos para que os dois países se ajeitem, pois ficar sem macarronada e pizza é algo que minha barriga não tolerará.

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