Agora é Toni Meiras que Danilão vai encarar
Algum tempo atrás, em Almenara, houve um rebuliço dos grandes na chamada esfera musical da cidade. Um novo artista iria tocar e apresentar seu show pro povo almenarense. Ninguém o conhecia, mas, mesmo assim, alguns diziam: esse cara toca demais!
Tudo começou com uma ideia de uma aspirante a promoter. Ela queria produzir o show de seu primo, um artista nato e de extraordinário talento. Mas o negócio ia além, pois ela queria causar impacto na hipócrita sociedade almenarense, em que a maioria se gaba por ter dinheiro em conta mas que não acrescenta em nada na cultura e tradição da cidade. É o famoso olhar pro centro do umbigo.
O primeiro problema advinha do fato de o artista ser conhecido em Almenara, logo, o fator surpresa que poderia acarretar no esperado impacto não vingaria. O artista, lembrando da infância quando fazia um dueto com seu amigo vizinho Nan Caires, teve um relapso de imaginação e sugeriu alterar seu nome a fim de bancar o desconhecido. Sendo assim, o pessoal que conhecia o violeiro Danilão não iria reconhecer o mesmo violeiro como Toni Meiras, que na verdade era um misto do sobrenome - Danilo Otoni Meiras.
Deu-se o primeiro passo rumo à apresentação que se mostrava épica para os padrões da época. Ornamentos gigantescos e pitorescos, velas com pequenas tochas de fogo a iluminar o ambiente, som com elevada distinção de sonoridade no uso da voz e violão, ingressos para o salão praticamente esgotados, show esperado por todo mundo, inclusive pelo próprio artista, devido à grande expectativa criada.
O lance engraçado era como as pessoas chegavam junto ao Danilão perguntando se ele conhecia ou já tinha ouvido falar de Toni Meiras. Tinha gente, até, que dizia assim: eu conheço Toni Meiras de Belo Horizonte! Já o vi tocar nos barzinhos de lá! Ele é muito bom! Danilão ria por dentro e concordava com todos, já que ele era realmente bom. Com o intuito de reforçar o show, Danilão afirmava com toda convicção: podem comprar o ingresso porque o cara vale a pena. E assim rolou o suspense até na hora da esperada apresentação.
Dizem que as pessoas chegavam paulatinamente ao bar escolhido para a apresentação musical. O local estava devidamente organizado e aconchegantemente bonito. E as pessoas vivenciavam a expectativa do show, quando o telefone de, agora, Toni Meiras tocou e foi dado o sinal verde para o começo de tudo. Na hora em que Toni Meiras (ou Danilão?) subiu ao palco, aquela atmosfera de angústia pareceu sumir. Nem a mais rabugenta pessoa poderia reclamar de tão belas músicas tocadas e apresentadas ao público. O novo artista parecia um veterano aos palcos e conduziu a plateia numa leveza extrema, passando da Banda de Pau e Corda a Capital Inicial, de Elomar aos Engenheiros do Hawaii, de Raul a Chico.
Nascia uma grande estrela almenarense que, por motivo de força maior, não pôde dar prosseguimento à uma carreira de elegante bom gosto, mas que continua tocando seu violão por entre as feras e as farras de Minas afora. Ultimamente, alguns rumores dão conta de que Toni Meiras voltou a ser Danilão (e vice-versa), e que este anda escrevendo crônicas para um site do Vale do Jequi...



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Comentários (1 postado):
Danilo, lembro que a plateia jogou até pedra, na Geni, é claro. Muito mais que um bicho de sete cabeças
Show inesquecivel.
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