Eu vejo flores em mim
Eu não consigo escrever sem as ajudinhas que o Microsoft Word tem a nos oferecer. Eu gosto de florear, por isso uso tanto o itálico e o sublinhado, para enfatizar algo que mereça esta atenção. Não sei se acontece apenas comigo mas, quando venho cronicar e não visualizo as opções do Word, perco o tesão de escrever.
Mas nada disso importa agora, pois outro texto está se formando e o Diário do Jequi irá disponibilizar o serviço pra mim sempre que eu precisar, não é, pessoal?
Lembro de uma vez, quando cursava o ensino médio em Almenara, que iríamos ter provas bimestrais valendo muitos pontos. Era a chamada prova somativa. Eu sempre tirei boas notas em Inglês e alguns meus colegas tinham dificuldade na matéria. Foi sugerida a famosa cola para eu poder salvá-los.
Todos os alunos da escola de todas as séries do turno eram escalados em determinadas salas para a realização das provas. Sendo assim, numa sala de aula havia pessoas da quinta série do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio. Uns quatro ou três de cada série por sala. E os nomes destas pessoas, a gente só sabia no primeiro dia de prova quando anexava-se uma lista nas portas de entrada.
Ou seja, quem precisasse de pontos em Inglês teria que contar com a sorte de estar junto a mim na realização do teste, além de pegar um professor que não ficasse muito no pé a fim de podermos realizar nossas confabulações com calma e sem estresse. Um estimado colega teve essa sorte.
No dia da prova eu falei a ele que iria fazer minha prova toda com calma e depois passaria as respostas, já que era de marcar apenas a opção correta. E assim fui. Achei a prova tão fácil que saí burriscando sem a menor sombra de dúvida. Eram trinta questões, e eu tinha certeza das trinta. Então pensei: vou esculhambar, não preciso de pontos mesmo. E fui pegando umas respostas que não tinham nexo como: o que é a via-láctea? Eu marquei: um sorvete! E assim brinquei. E esqueci de meu amigo.
Estava saindo da sala quando escuto um quase ininteligível psiu! Caiu a ficha sobre o desesperado amigo e escrevi na borracha minhas respostas, porém, com as respostas avacalhadas. Nem atinei na hora, somente algumas semanas depois quando o avistei na rua e o perguntei se ele havia passado de ano. Ele respondeu: fiquei em Inglês mas eles me passaram.
Veio toda a cena na minha cabeça e tive que confessá-lo a verdade. Rimos muito e ficamos com a constatação de que o Inglês não dá bomba em ninguém. Que me desculpe, Ilmeniz! Mas essa minha mania de florear as coisas ainda vai me custar caro...



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