Saltos no asfalto

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Diário do Jequi

Eram dois bons amigos inseparáveis. Viveram as infâncias em cidades diferentes, mas quis o destino uni-los. Primeiramente, num colégio de alegrias e descobertas, depois, na dura e árdua vida da labuta, de lutar pelo pão de cada dia. Eles eram tão amigos que dividiam a moradia, com mais um inclusive. E assim caminhavam com a humanidade.

Um dia resolveram sair a fim de se divertirem. Um deles escutara sobre um show de uma banda de rock numa boate chique da cidade. Era pra lá que iam, estava decidido. Tomaram um bom banho, vestiram uma boa roupa, passaram um cheiroso perfume e rumaram num ônibus caindo aos pedaços. Eles haviam guardado uma graninha legal para a ocasião, logo, queriam malbaratar naquela noite de lua cheia e céu límpido.

Chegaram à famosa boate, compraram duas doses de uísque com soda e esperaram os primeiros acordes de uma guitarra roqueira enlouquecida para tocar. E, quando menos se esperava, a banda cantou Sinca Chambord da Camisa de Vênus abrindo o show. E foram ao delírio, todos ao redor.

Foi um desses shows que lavam a alma. Tudo muito bem pautado e executado, em que cada instrumento fazia o papel principal. Pra se ter uma ideia, nem as mulheres eles azararam. O show absorvia qualquer outra necessidade, mas acabou, porque tinha que acabar.

Já era madrugada e os dois tinham que ir embora. Mas, devido à gastança, só restava o dinheiro de duas passagens de ônibus. Portanto, precisariam descer a pé até o Centro da cidade, onde havia o ponto de embarque. E foram, ajudados pelas ladeiras em que bastava descer. Porém, assim como eles, existiam outras pessoas alteradas pelo excesso de consumo de álcool. E o pior, pessoas que não se importavam com a vida humana, já que, mesmo enchendo a cara de cachaça, dirigiam à beça e à bessa.

Numa curva da ladeira, os dois amigos cantavam. Bem mais rápido e com bem menos responsabilidade. um carro também cantava - os pneus. Dirigido por um ébrio que nos bêbados deu fim. Apenas uma pancada, porém, fatal. Sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada... Infelizmente, essa é a lei.

FUTEBOL

Por conta de alguns problemas técnicos, passei um bom tempo sem cronicar aqui no Diário do Jequi, postando somente nas sextas-feiras no blog Bandeira Desses Trapos (www.bandeiradessestrapos.blogspot.com). E neste tempo, algumas coisas boas aconteceram no nosso futebol. Mas tentarei botar as coisas em dia o mais rápido possível.

Começando pelo menos importante, os Estaduais promovem apenas emoção e rivalidade (isso não significa inimizade, muito menos brutalidade) ao torcedor local. As zebras, quase não vemos mais. Os favoritos ganham e confirmam o que quase todos esperavam. Está assim no Paulista com os quatro grandes (Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos, na ordem da tabela) nas quatro primeiras posições; no Mineiro com o Cruzeiro líder e o Atlético vice; no Gaúcho com o centenário Internacional campeão do primeiro turno vencendo o Grêmio na final; no Paranaense o Atlético lidera seguido do também centenário Coritiba; e no Carioca em que, se o engraçado TJD não retirasse os pontos do Vasco da Gama, teríamos os também quatro grandes (Flamengo, Fluminense, Botafogo, além do time cruzmaltino) nas semi-finais da Taça Guanabara (equivalente ao turno). E foi neste campeonato bagunçado do Rio de Janeiro que houve a zebrona da hora - o pequeno Resende eliminou a grande equipe rubronegra da Gávea em pleno Maracanã num sábado de carnaval, chegou a final contra a Gloriosa Estrela Solitária e caiu de três a zero, fora o baile. Tudo normal até aqui pelos brasis do Oiapoque ao Chuí.

A Copa do Brasil é a graça do Norte e Nordeste. As torcidas lotam os precários estádios a fim de verem um time de renome pisar o castigado gramado. Não importam se ganham ou perdem, para eles tanto faz. Interessa mesmo é o ídolo que aparece no Globo Esporte. Passada quase toda a primeira fase, pode-se prever alguns times qualificados a receberem a taça de campeão e o passaporte para a Libertadores 2010. Porém, o maior prazer desta competição é o tropeço dos grandes ante aos bravos pequeninos. O gigante que cai aos choros e aos pés dos anões (vide Ponte Preta - 2001, ASA de Arapiraca - 2002, Goiás - 2003, Santo André - 2004, Paulista - 2005, Ipatinga - 2006, Figueirense - 2007 e Corinthians/AL - 2008). Logo, reforçando um dos tantos clichês do futebol, cada jogo é uma decisão. Mas como não posso me furtar de palpitar, o digo quem será o campeão (ou a zebra) do Brasil: Náutico!

Quanto à Libertadores da América, uma certeza: os melhores times da competição são os brasileiros. Mesmo com o Porco perdendo preciosos pontos e o Imortal Tricolor empatando no Olímpico contra um timinho. Ontem o outro tricolor, o paulista, rebateu o mal agouro e virou líder de seu grupo. A Raposa continua sobrando (e Kléber continua batendo!) e o Leão do Norte cada vez mais surpreendendo. De perigo mesmo, o Boca Juniors/ARG (pela tradição), o Chivas/MEX (pela lonjura dessas terras) e o Libertad/PAR (pelo belo time). Acho que o campeão será brasileiro. Quem? Não sei. Palpite: Sport!

E vamos nós de novo na gangorra, no meio da zorra, nesse vai e vem!

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